Escola no século XXI

Na passada semana tive a oportunidade de estar presente na reunião de avaliação das notas referentes ao segundo período de um dos meus filhos. Por razões óbvias não vou revelar o nome da escola, mas posso gararntir que se trata de uma escola que não fez parte da festa que se revelou a renevoção do parque escolar. Garanto que todas as salas possuem quadros interativos, no entanto as cadeiras, as mesas a dimensão das salas e o aspeto geral da escola deixam muito a desejar, não contribuindo em nada para que um ambiente calmo, sadio e tranquilo se possa fazer sentir na sala de aula. As janelas ainda de ferro permitem que todo o tipo de barulho irrompa pela sala de aulas. As crianças que brincam no recreio permitem que os que se encontram na sala de aula estejam suficientemente desatentos. Tudo isto vem a propósito do fato de na turma (com 27 alunos) de um dos meus filhos existirem três crianças em aulas de recuperação por terem mais de três negativas que incluem matemática e/ou português. O mais recente despacho do ministério da educação que prevê a possibilidade dos psis poderem escolher as escolas dos seus filhos independentemente da area de residência é mais um embuste e um atirar areia para os olhos da opinião pública criando a sensação que podemos colocar os nossos filhos nas escolas que melhor aproveitamento têm e melhores condições apresentam. Esqueceram-se foi de mensionar que essas escolas já se encontram sobrelotadas tornando esta medida um autentico gesto de propaganda do ministério. Como se não bastasse, existe a possibilidade de as escolas poderem formar turmas onde os piores alunos serão colocados todos na mesma turma, o que vai "fomentar" a recuperação desses mesmos alunos. Aumentar o numero de alunos por turma para 2013 serão turmas com 30 alunos cada irá permitir uma redução substancial no numero de professores, uma redução no numero de pessoal auxiliar menos salas ocupadas mais concentração, tudo em nome de menores gastos, menos custos e poupança ridícula onde precisamos sobretudo de investir. No futuro dos nossos filhos. Voltámos ao século XIX
Será esta a escola que pretendemos para os nossos filhos?

Um tiro em Atenas

Era um velho decente, formal e limpo. E havia nele memórias, sofrimento e grandeza. Olhou em volta. Nem a sombra de um remorso nem aquele limite denso e excessivo que a idade costuma expor. Olhou em volta e talvez estivesse a lembrar-se dos vendedores de esponjas de antigamente, que ofereciam o produto na praça da Constituição; ou das tavernas com parreiras, na Plaka, sob as quais comera queijo de cabra e bebera resinato, nos longos dias de calor. E de mulheres com quem dançara, pelas festas perdidas para sempre.
Passara por muitas coisas de infortúnio e por algumas alegrias selvagens e dispersas. Transfigurada de ventos e de silêncios, a cidade fora invadida pelos nazis, envolvendo de medo e atrocidades o chão sagrado dos deuses, dos poetas e dos filósofos.
Atravessara o luto criado pelos coronéis, com a consciência de que a adversidade era fruto da falta de bondade e de compaixão, aparentemente inexplicável. Fora preso por querer ser livre. Conhecera as rudezas do desemprego, e os ténues acenos de uma esperança obstinada. Depois, como se a sociedade precisasse de um mundo de compensações, haviam-lhe reduzido o ordenado, e aumentado tudo o que pertencia aos domínios da sobrevivência estrita. Mais tarde, extorquiram-lhe os subsídios e limitaram-lhe os proventos de uma reforma escassa.
Suportou as gradações da infelicidade, porque aprendera que a infelicidade nunca é lisa, e dispunha sempre de diferentes medidas de circunstância. Chegara, assim, ali: àquele plaino com relvado, de onde se divisava o que desejasse ser divisado. E descobrira, exausto e triste, de que pouquíssimas vezes o tinham deixado ser feliz e livre.
Soltou um grito. Como se quisesse desabafar a dor insuportável que sobre ele tombara, lhe vergara os ombros e lhe ferira o mais secreto da sua fé. As coisas são como são, diziam. Mas ele não queria que as coisas fossem como queriam que elas fossem.
A partir de certa altura, decidira manter uma atitude respeitosa e marginal. Nem mesmo assim obtivera paz e sossego. A verdade é que um homem está sempre ligado ao seu passado. O aparente apaziguamento interior não domesticara a ira, a cólera e a indignação que sentia, sobretudo quando a sua terra deixara de ser a lenda e a história e fora transformada numa litografia imbecil.
Quando gritou, gritou para aqueles que o não ouviam ou não desejavam ouvir. Assaltara-o o medo de ter, num futuro próximo, de esgaravatar nos caixotes de lixo, em busca de comida. E de deixar aos filhos e aos netos o peso de dívidas e a impossibilidade de as pagar. Sentou-se na relva. Ninguém o olhou. Há muito que as pessoas não se cruzavam: trespassavam-se.
Gritou: eles não respeitam nada nem ninguém!
E disparou o revólver na cabeça.
Dimitris Christoulas, 77 anos, reformado, grego. Nosso irmão.
Atrevi-me a partilhar este texto depois de o ter visto no blog de um querido amigo.
O texto é um artigo de opinião publicado em http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2412409&seccao=Baptista Bastos&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=-1

Deserto

Ontem em conversa com um amigo que teve oportunidade de tirar um breve período de férias Pascais, dáva-me ele conta da solidão que hoje é deslocarmo-nos numa das muitas autoestradas construídas no sentido de facilitar o acesso ao interior do País. Segundo ele mesmo nas saídas de cidades com alguma dimensão, a falta de carros e pessoas era notória. Sinceramente não me espanta. omo tão bem os políticos portugueses sabem fazer na altura da inauguração dos novos troços de autoestrada com festas a condizer, diziam-nos que se pretendia aproximar o interior do litoral facilitando assim os acessos e justificando assim os milhões investidos nas empresas de construção civil onde não faltam boys deste ou daquele partido. Em boa verdade os acessos estão mais facilitados, mas em contrapartida o custo destes acessos teve um preço demasiado alto. Fecharam-se escolas, fecharam-se centros de saúde, fecharam-se hospitais, maternidades, vendeu-se esse imobiliário a preço de saldo e abriu-se por vezes as portas aos privados para entrarem por estas cidades dentro e darem a poucos que têm possibilidade de pagar, aquilo que os mais pobres não podem. Assim, começaram a nascer portugueses em Espanha, e em ambulâncias do INEM ou dos bombeiros. Facilitou-se o abandono das terras assim como já se tinha feito com as pesacas e o resultado é um País a caminho da desertificação. 
Hoje acenam-nos que é necessário voltar a trabalhar as terras, fomentar a agricultura etc..., mas quem em boa fé que migrar para o interior criar raízes e ficar a uma hora de um hospital? Quem se sujeita a migrar para o interior e ter de levantar o seu filho às sete da manhã para ir a uma escola a 20 km de casa?
Fico espantado com a capacidade que estes partidos que nos governam desde o 25 de Abril continuam a merecer a confiança da maior parte dos portugueses. Estas políticas de mentirinha vão deixando o povo inebriado e confuso e mais pobre a cada dia que passa isso sim eu tenho a certeza. 

Para ti

Traidores e mal formados

  Ao contrário do que acontece com muitos animais que todos os dias são catalogados como espécies em vias de extinção, esta espécie teima em não desaparecer, como insiste em proliferar. Curiosamente é em tempos de crise que eles mais se revelam (no nosso íntimo, já os conhecemos) e revelam-se sempre nas melhores ocasiões. Presumo que cada um de nós já se confrontou diretamente com algum elemento desta espécie. Conheço infelizmente alguns exemplares que normalmente se riem pela nossa frente e assim que nos virámos estão de punhal em riste para a célebre facada nas costas. Cão que não conhece o dono ditado antigo e que se torna apropriado para muitos deles em que algum dia da sua existência necessitaram da nossa ajuda e hoje esqueceram-se das horas e horas que estivemos ali ao lado, muitas vezes mais presentes do que a família e hoje do alto da sua idiotice nos ignoram. Gente que no seu local de trabalho tem quase como exclusiva função agradar ao chefe, dizendo mal deste ou daquele ou aproveitando momentos em que os seus departamentos estão mais desprovidos de movimento aproveitam para dar graxa ao "cágado". Hoje, conversando com um colega de trabalho, dei-me conta da quantidade de animais que conheço e que se enquadram neste perfil. Gente sem escrúpulos que pensa que o lambe botas, a atitude de "engraxador" lhes promete um futuro mais risonho. Sem ter uma bola de cristal a estes eu posso garantir que não os espera um futuro melhor. Tal e qual como a merda, mais dia menos dia a verdade acabará por vir ao de cima.

Portugueses de primeira/Portugueses de segunda




Já sabíamos que a justiça não era para todos. Quem tem dinheiro tem direito à "justiça", que não tem acaba injustiçado. Nas crises as coisas passam-se mais ou menos assim, existem classes a quem a crise paasa ao lado. Repare-se nos vários governantes que nos últimos anos passaram pelo governo e não consta que nenhum deles esteja mal empregado. Estas desigualdades vêm agora a propósito dos vencimentos dos administradores da EDP. Segundo o jornal "Dinheiro Vivo" os administradores da EDP, vão receber 3,980 milhões de euros, num ano de crise em que a elétrica se prepara para aumentar mais as tarifas a todos os portugueses que andam tão endinheirados.
Não obstante este fato, alguns "trabalhadores" do estado, ficam isentos do imposto estraordinário que o próprio estado decretou para os seus funcionários. Empresas com a Caixa Geral de Depósitos, ou a TAP não serão abrangidas pelo plano de cortes que o governo decretou. Segundo um porta voz da transportadora, a empresa irá fazer cortes internos no sentido que as despesas baixem. Das duas uma ou são muito estúpidos, tanto tempo a dar prejuízo e só agora detetaram que existem "gorduras" que merecem ser cortadas, ou então quem vai "pagar" a fatura serão de novo os passageiros que terão de levar de casa um tupperware com as refeições de casa. Com esta gente apetece dizer privatizem já a TAP porque com empresários à séria os pilotos não ganhariam tão miseravelmente.

FUTURO

Existem dias assim. Existem dias em que me levanto e me dou conta que estou mais atolado do que aquela criança que no célebre filme da "Lista de Schindler" nos aparece pelo ecrã dentro enfiada dentro de uma latrina conseguindo esconder-se dos alemães. Os alemães sempre eles na ordem do dia. Bem isto a propósito de dar comigo a pensar no que será o futuro dos nossos filhos. Para alguns sobrinhos ou para outros mais jovens que se dão ao trabalho de vir a este blog. O que é que o futuro lhes reserva?
Parece-me que aparentemente um futuro pior do que o dos pais. Se forem pais que ainda consigam neste momento ter trabalho, muita das vezes sofrido e mal pago, sempre vai dando para um dia a dia com comida na mesa e roupa sempre que se necessite, pagando os pais um preço muito alto por esse emprego, resistindo com constantes idas à farmácia e socorrendo-se de medicamentos para terem uma noite mais ou menos tranquila que lhes permita no dia seguinte acordar e rumar ao inferno de todos os dias. Caso os pais estejam desempregados a miserável vida que levam não é contada pelo fato de a dignidade roubada a esta gente não lhes permite já não lhes permite gritar bem alto a injustiça que a sua triste sina lhes trouxe.
Mas o que é que falhou entretanto para que o futuro seja assim tão sombrio? Só pode ser a educação que os nossos pais nos deram. Parece estranho não parece? Mas de facto se compararmos os nossos pais deram-nos muito com muito esforço sem que fizéssemos muito esforço para o ter e a consequência é que habituamo-nos a ter qualquer coisa sem esforço. Se passarmos isto para o campo político temos desde o 25 de Abril (algumas exceções existem algumas) temos políticos que não pedimos e não fazemos nenhum esforço para nos mobilizarmos e empurrar de lá para fora quem tão mal nos faz. Quem estava melhor preparado para o futuro? Os meus avós que analfabetos levaram uma vida digna educaram os meus pais com muita dificuldade, sacríficio e espírito forte? Ou eu que como muitos pais tentam tudo dar aos nossos filhos camuflando muitas vezes as prendas que lhes damos com as que gostaríamos de ter tido na idade deles e proporcionando-lhes um 12º ano ou um curso na faculdade, preparando-os assim para o mais certo lugar no desemprego ou num outro País qualquer.

Imaginem o que o novo código de trabalho pode fazer nas mãos de pessoas destas

Ilídio Silva. Fixem este nome.
O Correio da Manhã de hoje revela que este senhor foi condenado a pagar uma indeminização pelo tribunal de Gondomar no valor total de 5.250 Euros à mulher e à filha de apenas 14 anos. Segundo o tribunal foi provado que este senhor que é diretor financeiro e administrador do Grupo Amorim, humilhou a ex-mulher chamando-lhe filha da puta e oportunista. Já a filha era mimada com "vaca e sanguessuga".
Quem em boa verdade com a formação que este senhor tem pode atrever-se a tratar assim a ex-mulher e a filha com 14 anos, imaginem o que poderá ele fazer com uma arma como o novo código de trabalho nas mãos. Que pena tenho eu de quem trabalha na "Corticeira Amorim" .
Entre outras opções o senhor podia trocar os insultos por, fazer ouvidos de mercador e meter uma rolha. Ficava-lhe bem mais económico.

Feliz 2012

Hoje, mas só hoje, vou esquecer que para 2012 os impostos vão aumentar mais uma vez, vou esquecer que vou pagar mais pela saúde, vou esquecer que vou pagar mais pelos transportes, vou esquecer que vou pagar mais pelo imposto da minha casa (IMI), vou esquecer que as deduções que eu fazia no meu irs serão menores, vou esquecer que a claúsula que a entidade patronal tem para despedir agora foi facilitada, vou esquecer que as empresas vão passar por dias difíceis e vou-me concentrar que apesar de tudo, os portugueses são gente boa, gente que faz tão bem como os melhores, gente que descobriu meio mundo, gente de raça. Só não consigo perceber uma coisa. Como é que gente com tantos predicados deu políticos tão mauzinhos?

Um Feliz ano de 2012 para todos

Natal



Nos últimos anos a festa que eu mais gosto tem vindo a perder a graça dentro de mim. Não sei muito bem porquê, mas o Natal para mim sempre me trouxe encanto magia e sobretudo uma excelente oportunidade para estar com a minha família toda no mesmo espaço. Cada vez são mais raras estas ocasiões. Talvez, talvez, o Natal esteja a perder a graça dentro de mim porque fui ao longo destes últimos três anos perdendo alguns dos que mais gosto, talvez seja porque ando esgotado do trabalho e da pressão que a cada um de nós é colocada, talvez porque o verdadeiro espírito de Natal esteja a desaparecer com o consumismo exagerado. As caras prendas de Natal para as crianças, trazem algum (des)conforto aos pais, tios e restante família iludindo-nos que o valor da prenda pagará o cada vez mais reduzido tempo que passamos com elas. O Natal, que eu gosto está a acabar. O Natal, onde a família depois do jantar ficava calmamente a jogar o loto, as cartas etc... está a tornar-se num Natal onde se vê a televisão com os enervantes e repetitivos anúncios de brinquedos, perfumes ou os filmes repetidos até à exaustão Natal após Natal.



Tenho saudades do pai Natal. Tenho saudades do Natal genuíno. Tenho saudades dos tempos em que saía do trabalho e não via tanta gente a preparar-se para dormir na rua.



Este Natal, sinto a magia a desaparecer, sinto as pessoas mais tristes, sinto as pessoas mais pobres e resignadas, sinto que este não é o Natal que eu quero.



Este ano vou tentar deitar tudo isto para trás das costas e tentar trazer de volta o genuíno Natal para minha casa.



Um Feliz Natal para todos vós.






A Miséria que não queremos ver



Ontem, a R. antiga colega de trabalho telefonou-me para tomar um café comigo. A R. vive momentos de angústia provocada por um despedimento no grupo de media que trabalhava associado a um divórcio que a deixou nas mão com dois filhos um dos quais deficiente profundo que necessita de acompanhamento permanente. A R. Não queria tomar um café comigo. A R. ontem quase que me implorou para lhe conseguir encontrar um emprego fosse ele qual fosse. A situação de miséria em que vive, levou-a a descer a um nível que nunca tinha imaginado poder acontecer-lhe. A tristeza que imanava dos seus olhos não deixa ninguém indiferente. As dificuldades com que se debate todos os dias, ora deixando de pagar a renda este mês para dar alimento aos filhos, no mês seguinte pedindo fiado na mercearia, fez com que a sua situação se torna-se insustentável. A tal pobreza envergonhada está aí. Aquela que eu tinha por várias vezes ouvido falar estava á minha frente. Pedindo, mendigando um emprego "nem que fosse para empregada doméstica eu faço qualquer coisa.


Casos como estes são muitos. Claro que muita gente se aproveita da situação,mas estou em crer que são cada vez em menor numero. O desespero um destes dias, vai acabar tomar conta desta gente.


Ao ler aqui o artigo de opinião do Pedro Tadeu no "Diário de Notícias", fiquei mais convicto que este País não merece o povo que tem.

Hoje dedico a este senhor este pequeno texto....



O ex presidente da CIP, Ferraz da Costa e actual presidente do forum para a competitividade que se devia de acabar com o subsídio de desemprego e regular as greves de forma a conter o aumento dos salários em Portugal. Aproveitando a embalagem deu como exemplo a Alemanha onde segundo ele existe um apoio e não um subsídio.


Curioso este depoimento do senhor que entende que o crescimento de Portugal ainda está agarrado a esquemas e tácticas que funcionaram noutros tempos. Não sou nenhum letrado nisto, mas parece-me que alegar, que o crescimento e a sustentabilidade das empresas ou de um país se faz pela redução das prestações sociais ou pela penalização dos salários é o alcance da visão de um tipo que mede 1,60cm. Os países mais evoluídos da Europa e particularmente os nórdicos, não são conhecidos por cortar regalias de quem trabalha, antes pelo contrário. poderíamos enumerar os direitos de quem nesses países decide ter filhos, ou o sistema de saúde, ou então o apoio que dedicam aos mais idosos. Mas o crescimento baseado na inovação, na capacidade de investimento que os governos fazem no ensino desses países, a justa distribuição de riqueza que existe entre empresários e empregadores em que em Portugal é tão bem personificado na "Auto Europa". Já agora, era bom que estes senhores de visão curta quando abrissem a boca para comparar aquilo que não é comparável (Portugal/Alemanha) tivesse em atenção não só as obrigações do povo alemão, mas sim também as outras componentes que fazem toda a diferença. Querer alterar parcialmente as leis quando, só como exemplo a média salarial de um alemão é 6 vezes maior do que a portuguesa é no minímo pensar que os portugueses são ignorantes.

O Seguro morreu de velho



O Dr. António José Seguro afirmou hoje aqui que acha inaceitável que um pensionista com uma reforma de 1.000 euros fique sem duas prestações e que um trabalhador, do privado, não dê qualquer contributo para o esforço nacional. Acordou tarde para a vida este senhor. Durante o reinado do engº Sócrates manteve-se cego surdo e mudo não ousando levantar a voz contra as atrocidades que o secretário geral do seu partido fez ao povo português ajudando o país a afundar-se. Hoje pagamos uma factura muito alta pelo empurrar com a barriga para a frente elogo se vê quem paga. Vem isto a propósito de que não me parece de forma alguma justo que os funcionários e pensionistas paguem a conta do banquete para o qual não foram convidados. Não acho justo também que se façam afirmações destas, como a que o senhor seguro fez. Como todos sabemos necessitamos da máquina do estado para que o nosso dia a dia funcione regularmente. São os hospitais, os bombeiros, a polícia, etc.... Tirando o facto de que estas entidades não geram riqueza para o país. Neste caso são os privados atravês das muitas empresas e com as exportações que podem acrescentar riqueza para a Nação. É precisamente atravês dos impostos que são descontados todos os meses no meu salário e de milhões de privados que são pagos os deputados, os ministros, as subvenções vitalícias dos que ao longo de 12 anos estiveram na coisa pública. Não aceito pois que digam que os privados não são chamados a contribuir para o esforço comum. A propósito disto, hoje num artigo de opinião no "JN", que o senhor seguro não deverá com toda a certeza ler, não me lembro de ouvido qualquer indignação contra o facto de a TAP ter contra tudo o que era admissível aumentado os chefes em 50% do seu salário ( e como são muitos os chefes da TAP) numa altura em que perdeu até ao momento 137 milhões de euros e solicita agora uma recapitalização de 400 milhões de euros, que nós todos incluindo os privados vão ter que pagar.

Passos ainda não encontrou Deus



Existe uma anedota que vem do tempo do Sócrates que terminava mais ou menos assim: Sócrates é chamado ao céu para uma reunião com "Deus" e "Deus" diz-lhe o seguinte: tenho duas más notícias para te dar. A primeira é que eu existo o que para ti é uma desilusão, a segunda é que amanhã acaba o Mundo. Dito isto, vai para a Terra e difunde esta mensagem pelos portugueses. Nesse mesmo dia em horário nobre, Sócrates convoca as televisões, a imprensa para fazer um comunicado. Começa dizendo o seguinte: Caros portugueses tenho duas boas notícias para vos dar. A primeira é que "Deus" existe, eu próprio ateu me confesso, estive hoje mesmo com ele. A segunda é que a crise acaba amanhã.



O que nos foi dado a conhecer ontem pelo Passos Coelho, deixa de uma forma geral quase todos os portugueses numa agonia difícil de aguentar. Os sacrifícios são todos em cima de quem já não pode dar mais. Com estas medidas temo que o desemprego vá para níveis mais históricos. A cegueira dos cortes para se cumprir um acordo leva a que de uma forma acelarada as pequenas e médias empresas fechem as portas. Ouvidos moucos Passos Coelho teve para gente do próprio partido que afirmava que era essencial prolongar o "timming" de três anos para a redução do défice. Era isto que eu esperava. Uma conversa com a Troyka, fazendo-os entender que daqui a três anos estamos de novo com o chapéu na mão a pedir mais dinheiro, com uma economia de rastos e com um numero de desempregados galopante. Mas não, é sempre mais fácil aumentar impostos aqueles que já pagam muito e deixar que alguns vivam e enriqueçam impunemente. Cobarde forma esta de colocar as contas em ordem.



Já afirmei neste pobre blog que os políticos devia ser responsabilizados pelas asneiras e crimes que cometem para com os portugueses. Mas isso é uma coisa que não interessa.



A revista "Visão" tem esta semana um artigo comparativo com os vencimentos de quem já passou pelo governo e enriqueceu. O simples facto de se ter sido alguma coisa num governo é caminho andado para se ficar rico. A promiscuidade assim o impõe. Vejamos alguns exemplos:



Pina Moura em 1994 declarou rendimentos no valor de 22.814 euros, em 2006 declarou rendimentos de 697.338 euros, Jorge Coelho em 1994 41.233 euros 2009 702.758 euros Armando Vara 1994 - 59.486 euros 2010 - 822 193 euros Dias Loureiro 1994 - 65 010 2001 - 861 366 euros, Antonio Mexia 2003 - 680 360 euros 2009 - 3.103 448, a lista de remediados que passaram a ricos é vasta. Perante estes dados pergunto ao senhor Passos como é que acha que os portugueses olham para a crise?



Escusa a PSP e o governo de estarem preocupados com a revolta social. O que resta aos portugueses do salário dá para comprar massa, arroz e pão fazendo com que faltem forças para manifestações de contestação.




Que "Deus" lhe perdoe.

A crise



Confesso que deixei de ligar a televisão durante o período das notícias. A "crise", não nos larga. A cada segundo do dia, somos confrontados com as pessoas na rua, as notícias na rádio, os jornais e basta olharmos á nossa volta para percebermos a quantidade de casas á venda e o numero crescente de pessoas a mendigar nas ruas. De cada vez que um político vem a um meio de comunicação social falar, significa que quem trabalha vai passar a viver um pouco pior.Mais impostos, menos regalias, mais cortes etc....



O que parece que não passa nos maios de comunicação social é o "milagre" que o primeiro país a entrar em crise está a operar. Sim eu sei que é mais fácil, falar da crise na Grécia como país incumpridor, ou então nos tumultos e "apreciar", o que acontece acada medida tomada pelo governo. Aqui neste canto à beira mar plantado cada medida de redução do déficit, dá uma machadada profunda na economia das empresas e vai condenando à faléncia centenas de empresas e consequentemente mais desemprego.



Infelizmente por cá teimamos em não aprender com os casos de sucesso. A história de que quem é político tudo lhe é permitido fazer e depois sair impunemente, não resultou na Islândia. Este pequeno país decidiu que seria o povo verdadeiramente a tomar conta do país e rapidamente punindo que os levou à falência, está a conseguir levantar a cabeça.



olho por olho

Sou um simples assalariado daqueles que têm sorte em manter o posto de trabalho. Desde que comecei a ser governado em democracia e tirando curtos episódios, vi  a minha qualidade de vida a detiorar-se. Já aqui escrevi que só este ano para manter os meus filhos no serviço público escolar vi-me entre livros, cadernos, compassos, mochilas, equipamentos para desporto, etc... desembolsar mais de 600 euros. Este ano vou ver as minhas deduções para o irs sofrerem mais uns cortes, entretanto vou pagar mais pelas consultas que não faço nos centros de saúde, como se não bastasse aumentaram os transportes, a electricidade, a água, as deduções do meu empréstimo bancário para habitação, a taxa de iva vai aumentar etc....
Entretanto, vejo que novos sacrifícios vão ser pedidos aos portugueses, para que seja cumprido um rigoroso plano da troika a fim de "salvar" o meu país da banca rota, coisa para a qual não contribuí em nada, mas também vou ter de pagar.
Hoje numa revista lia com particular atenção as obras efectuadas na ilha da Madeira pelo AJJ. Desde uma piscina que após a inauguração durou 4 meses aberta, uma marina que não tem um único barco, um heliporto onde não pousam helicópteros, uma estrada que custou um milhão para dar acesso a duas casas etc. Mas não é só na Madeira que estes desvairos se dão. As autarquias estão endividadas, Gaia é uma das câmaras mais endividadas do País, mas tem obra. Enquanto os desempregados na região Norte não para de aumentar, faz-se um funicular que custou milhões, Pensa-se em novas pontes para atravessar o Douro (como se ninguém passasse pela ponte do Infante e percebesse que a taxa de viaturas que a atravessam é ridícula). Em termos de autarquias nimguém, pode atirar pedras para os telhados dos outros todos nós conhecemos casos idênticos de obras, que teriam o seu dinheiro melhor empregue no apoio ao emprego por exemplo.
Voltando aos assalariados, está em debate uma proposta que irá flexibilizar os despedimentos. Esta lei entre outras coisas irá permitir que se despeça um funcionário pelo não cumprimento dos objectivos que são impostos pela empresa. A minha esperança é que a ser aprovado esta proposta seja extensível aos políticos portugueses e que possamos não ao fim de 4 anos poder despedir os governos, os presidentes de câmara enfim a classe política por não terem cumprido aquilo a que se comprometeram fazer. 

Ao meu amigo Zeca

O meu amigo Zeca é um daqueles amigos que é muito mais do que isto. É um irmão mais velho, é o confidente, é o companheiro e é aquele com quem nós podemos sempre contar. O Zeca é da família, da minha e tenho a certeza que de muitos. Falta esclarecer que o Zeca é padre. Não, não é um padre qualquer, muito menos é o padre da virgararia do Porto. É o meu padre.
Posto isto, passo a explicar a razão deste texto. O meu padre é um daqueles que foi capaz de fazer a diferença por onde passou, conseguiu, tirar da miséria muita gente que vivia na mata da pasteleira em condições deploráveis, foi um dos principais activistas do movimento de libertação por Timor Leste, foi pela mão dele que foi criado o movimento fé e luz um movimento que tem como fim apoiar crianças e adultos com deficiências profundas, foi ele que construiu um centro para apoiar a criança e o jovem em risco tirando assim, muitas crianças do flagelo da droga. Enfim o Zeca fez muito mais do que muitos políticos que conheço com a diferença de que nunca pediu nada em troca. Ele é assim, desprendido das coisas mas não das pessoas. 
O Zeca foi afastado da sua paróquia onde exercia há mais de 40 anos pela mão de um bispo. Lá diz o ditado que à mulher de César não basta sé-lo tem de parecê-lo. É minha profunda convicção que a este Bispo que tão bom nome grangeia entre as elites, mais dia menos dia vai-se perceber que ao contrário do ditado parece mais do que aquilo que quer transmitir ser.
 Bem sei que existe o dever de obediência de um pároco para com o seu bispo, mas também existem normas que devem ser respeitadas, entre elas a que determina que a partir de uma certa idade um padre não pode ser mudado de paróquia. Aquilo que fizeram ao meu Zeca não se faz. Vale-lhe a ele que não está, nunca esteve e nunca estará sózinho, tem-me a mim como a muita gente junto dele. Porque padres como este já não existem muitos.