Fardo

Quantos de nós já sentimos o nervoso miudinho a apoderar-se de nós ao domingo à tarde, porque nos lembramos que a segunda-feira está por horas? Quantos de nós ocultamos que para aguentar o frenesim do dia a dia tomamos medicamentos, outros fumam seja o que for desalmadamente, outros bebem às escondidas e outros distribuem a sua ira e mau feitio, por todos aqueles que os rodeiam. Até quando os assassinatos que povoam todos os dias os nossos jornais rádios e televisões não atraem a atenção de um país cada vez mais doente. Existem ainda uns quantos que por razões diversas ainda conseguem olhar para a a frente e vislumbrar que a sua vida não é isto. A minha vida não pode ser isto. Tenho dúvidas muitas dúvidas, sou um homem de fé e com cada vez menos certezas, mas se alguma certeza tenho é que não quero esta vida para mim. Não se trata de um grito de revolta, trata-se sim da constatação que me é impossível continuar a viver assim. Estou exausto tal e qual muitos dos amigos e colegas que conheço. Uma conversa de que somos fortes vamos conseguir fazer melhor sem os meios, sem os instrumentos, contrasta com a vulgar conversa de corredor em que toda a gente se lamenta, onde as depressões aumentam a um ritmo frenético, onde a exaustão impera e o silêncio impulsionado pelo medo, faz com que a resignação impere. Estou cansado, melhor estou exausto. Por vezes questiono-me sobre o que é que se fez para se merecer tamanha injustiça. Temos o direito de pelo menos procurar a felicidade e a minha esperança de a encontrar está-se a desvanecer.

Mais valia estares calado

Leio esta semana numa revista de um semanário português uma reportagem sobre a remuneração dos padres portugueses. A pergunta é têm os católicos a obrigação de suportar o custo de vida do padre? A regra geral deveria ser a formulada por S.Paulo "Quem serve o altar vive do altar". De facto que quem escolhe a vida de padre não tem ou não deve ter como finalidade o enriquecimento(coisa que existia até alguns anos atrás sobretudo no interior)pagava-se a côngrua, pagava-se o batizado, pagava-se a comunhão, pagava-se o casamento, pagava-se o funeral etc... Estes valores de uma forma geral sustentavam a igreja e sustentavam o pároco. A crise na sociedade afastou os crentes, se calhar alguns responsáveis pela igreja afastaram os crentes já que reza a memória em tempos de crise as pessoas voltam-se mais para o culto e de nada serve os padres acenarem com a crise porque não consta que a IURD viva em crise. Dízimo pago pelos praticantes da IURD e côngrua exigida por algum clero não é muito diferente. Enquanto que na IURD o conceito de "padre/pastor" deixa muito a desejar e levanta dúvidas sobre os seus reais propósitos, creio que na igreja católica o ser padre não pode, não deve ser confundido com uma profissão. Ser padre na igreja católica é um chamamento de Deus para uma missão que se quer nobre e próxima daqueles que mais sofrem. Vários são os casos de padres que conheço que têm viaturas melhores do que a minha e da do papa Francisco. Ser padre não pode ser aquilo que vários padres ocultam na reportagem. Não conheço nenhum padre que passe fome. Não conheço nenhum padre que viva em condições miseráveis, não conheço nenhum padre que não tenha um padrão de vida aceitável, não conheço nenhum padre que não tenha direito à saúde, não conheço nenhum padre que viva em condições por vezes deploráveis como vivem alguns dos seus fieis. Tenho alguns padres como amigos e não os revejo naquela reportagem, mas envergonha-me que um padre que professe a fé em que eu acredito e que preside a uma paróquia de uma zona abastada da cidade, que testemunhe que no caso dos vencimentos dos padres a crise bateu à porta. Fundo paroquial que sustenta o padre e duas funcionária é alimentado por contribuições modestas e voluntárias!!!!!Juntando-se umas migalhinhas das taxas de casamentos etc. Quando perguntado quanto ganha um padre acena com 800 euros por mês. Brincar com quem todos os dias sofre à procura de sustento para dar aos filhos é uma brinacdeira de muito mau gosto mesmo passado um dia do dia 1 de Abril. Seria bom que perguntassem ao senhor cónego quanto é que ele recebe na realidade por ser padre e quanto recebe de reforma pela outra atividade que exerceu. Depois queixem-se que as igrejas estão cada vez mais vazias.

Manue(a)l de sobrevivência

Manuel é um nome característico da maior parte dos portugueses. Manual(de sobrevivência) passou a ser. Este país à beira mar plantado, tem assistido nos anos de democracia após o 25 de Abril de 1974, a uma invasão de pessoas pouco recomendáveis. Estes grupos de pessoas que giram à volta dos aparelhos partidários têm elegido(com a colaboração dos portugueses) a um roubo sem precedentes. Os portugueses, Portugal tem vindo a ser vilipendiados ano após ano. Desde as empresas privatizadas a bom preço a um grupo de empresários que denotam uma ânsia pelo poder e pelo dinheiro desmedida, até aos políticos que procuram na espuma do poder garantir aquilo que a qualidade humana, profissional e até intelectual nunca era capaz de lhes proporcionar. Assim o assalto às cadeiras do poder por muito pequeno que ele seja desde juntas de freguesia, Câmaras Municipais, deputados, secretários de estado, ministros etc... tem evoluído a uma velocidade impressionante. Ontem quando saía do restaurante onde almoçava em Lisboa, acercou-se de mim uma senhora com idade para ser minha mãe timidamente a pedir dinheiro para comer alguma coisa: Esta senhora aparentemente vestida de uma forma normal denotava no rosto e sobretudo nos olhos uma tristeza que queimava. Chegado a casa, eis que nos raros momentos em que ligo a televisão num qualquer telejornal da noite, dou-me conta que o discurso de um político afirmava que o desemprego tina recuado em Portugal. Este país que é governado por que não sai do gabinete, por quem não tem contato com o mundo real, por onde ainda morrem pessoas nos hospitais por falta de medicamentos, onde os hospitais públicos fecham e proliferam os privados, onde os bancos fecham e os contribuintes pagam, onde os políticos se esquecem de pagar as suas contribuições e prescrevem, não é o país em que eu quero que os meus filhos vivam.

Feliz Natal

Atingi uma idade e um estado de consciência em que os filtros se vão perdendo. Consoante os anos vão passando alguns dos medos que me assolavam foram-se por água abaixo.Como poderão imaginar esta atitude perante a vida tem virtudes e defeitos. No entanto como não busco a perfeição sou só um ser humano que tenta viver em paz com a sua consciência e com os valores que me foram incutidos pelos meus pais, pelos meus irmãos, pelos meus amigos e por um conjunto de gente que me rodeia decidi escrever sobre esta festa natalícia de resto a festa que mais me diz pelo conjunto de características que a envolve (paz, família, harmonia, mais atenção para com o outro), para desejar um Feliz Natal a quase toda a gente. Sim porque de uma maneira geral eu gosto de muita gente, no entanto este ano decidi que tem um número ainda substancial de gente que conheço que não querendo que passem um Natal infeliz, queria muito que tivesse eu o dom de mudar alguma coisa, atrevia-me a dar-lhes o natal que merecem. Esse Natal passaria por exemplo por lhes dar o mesmo respeito com que presenteiam as pessoas que todo o ano tem a infelicidade de privar com elas. Gostaria também de os presentear com um vencimento que lhes permitisse passar um Natal da mesma forma que muitas pessoas que conheço vão ter. Gostaria de lhes proporcionar a experiência de um natal de muitos que nada têm e alguns deles vivem debaixo do anonimato. No fundo, bem lá no fundo o que eu gostaria era que toda a gente tivesse um ano de 2015 e um Natal de 2014 como merecem, mas isto sou eu que vivo no reino da utopia. Um Feliz Natal para quem merece.

O País do faz de conta

Este fim de semana vou fazer férias da minha condição de adulto e vou voltar a ser criança. Criança é um estado de alma que nunca me abandonou, mas que face ao facto de ter crescido volta e meia se esconde com vergonha daquilo que presencia. Esta minha decisão de voltar a ser criança tem a ver com a ideia que me persegue de reviver os livros que a Câmara Municipal do Porto atravês de uma biblioteca itinerante fazia percorrer pelos bairros do Porto permitindo assim atravês do aluguer que crianças como eu, pudessem ter a oportunidade, com a escrita, que muitas das vezes nos fazia viajar pelas páginas dos autores. É precisamente essa viagem que me proponho fazer este fim-de-semana, vagueando desta vez por livros e histórias de personagens maléficos, vis e sem excrúpulos. Era uma vez um menino que vivia num país de faz de conta. Esse país era governado por um bando de corvos que pertenciam a um bando muito maior e que a maior parte das vezes não se sabiam bem quem eles eram. Esse bando de corvos, exercia o poder em benefício dos corvos maiores que escondidos os manipulavam como se marionetes se tratassem. O povo, esse povo que "tinha" conquistado a "liberdade", vivia cada vez pior. Ao longo dos anos com promessas vãs,tiravam um pouquinho de dignidade aqui, outro pouquinho de amor próprio ali, mais um corte no salário um pouco mais à frente até que se conseguiu amordaçar todo um país e convencendo que isto funciona assim ou então é o caos. O povo vive amordaçado, sem esperança, sem forças para se revoltar assistindo a um sem número de roubos que lhes vão tirando o pão da boca dos filhos,que lhes vão tirando a oportunidade de ter uma velhice feliz e tranquila, que obriga os filhos a emigrarem para longe dos pais, que os obriga a recorrerem a hospitais onde os medicamentos rareiam, onde o número de pessoas que passa fome aumenta ao mesmo ritmo que a impunidade atinge a quem tanto rouba. O que se passa com quem roubou? Pagámos bem caro os desvarios do BPN ( o que se passou com quem roubou?)pagámos bem caros os desvarios do BCP (O que se passa com quem roubou?) pagámos bem caro os desvario do sucateiro (O que se passa com os governantes que roubaram?) Pagamos bem caro os pandur, F16 submarinos (o que se passa com quem nos roubou?)Continuamos a ser roubados pelos políticos com escândalos atrás de escândalos sobre dinheiros desviados (o que é que lhes aconteceu?). Vivemos num país adiado em que a justiça não é digna do nome que tem. Precisamos urgentemente que movimentos perseguidos como as brigadas vermelhas, a Eta voltem urgentemente para que esta gente perceba que não pode, não deve não tem o direito de humilhar assim as pessoas.

Palavras em desuso (Vergonha)

Este retângulo chamado Portugal, tem vindo a ser assolado por uma série de notícias que colocam a nu a reles qualidade dos políticos,empresários e agentes económicos portugueses. Como se não bastasse na classe económica os casos BPN, BCP,BES eis que aquilo que já todos sabíamos veio á opinião pública atravês da revista "Visão" e do excelente jornalismo a que o Miguel Carvalho nos habituou, que a Câmara de Vila nova de Gaia, foi um viveiro de despesismo sem controlo e com benefício de uma eleite que continua a passear por este País sem que nada, nem um pouco de vergonha na cara os atormente. Vem isto a propósito de uma notícia publicada hoje num jornal diário que o novo presidente da Câmara em questão, eleito por um partido diferente e com a sua Câmara a ser vasculhada pela Polícia Judiciária e pelo Ministério público, acaba de ao fim de um ano de mandato adjudicar vários contratos de assessoria de imprensa sem concurso (113.000 euros) a uma empresa que por acaso, só por acaso pertence à esposa do presidente da Câmara de Matosinhos. Este País não tem de facto emenda. Quanto mais não seja lá diz o ditado à mulher de César....

Crise no maior banco privado português parte 2

O que se está a passar no BES/Novo Banco prova que Portugal não necessita de letrados para governarem o País. A decisão sábia de cisão do banco foi sustentada no chico espertismo que desde à alguns anos assola os patrões portugueses. A empresa A encontra-se em grave situação financeira, retira-se as máquinas e todo o património, deixa-se falir, os credores ficam a ver navios e ao lado abre-se uma nova empresa da mesma area com nome diferente s+o que desta vês em nome de um filho. É neste país governado por gente miserável que eu vivo.