Um pobre País chamado Portugal

Como pode um País ser tão rico e ao mesmo tempo tão pobre? Embora ambígua a resposta é a mesma. As pessoas. Num surto nunca antes visto, Portugal e o Porto em particular têm conhecido um aumento exponencial de visitas de turistas este ano. Pode ter várias explicações, a instabilidade em muitos países de destino(Turquia, Egipto, Grécia etc...) destes turistas pode explicar alguma coisa,o incremento das companhias de baixo custo também ajudam a potenciar este fenómeno, mas seguramente que a forma como os portugueses recebem, o sol que nos abraça na maior parte dos dias, uma gastronomia de encher os olhos fazem seguramente a diferença. Nenhum País se pode outorgar como destino de excelência se não tiver estes atributos bem suportados. Esta faz com toda a certeza deste meu país um país rico em experiências, o contacto com as pessoas é uma experiência única, a beleza natural onde se incluem o vale do Douro património Mundial algumas reservas naturais como a Peneda-Gerês, a região centro onde as festas e romarias atraem cada vez mais pessoas, o Alentejo com as suas belezas naturais e cultura e depois o Algarve que dispensa comentários. No lado oposto estão as pessoas. As pessoas que nos governaram e as que nos governam. A aproximação das eleições vieram trazer à ribalta, o que de pior o ser humano tem. As máquinas partidárias começaram a aquecer as máquinas e os resultados são mais uma vez um teste aos portugueses. Os partidos do círculo do poder, tratam os portugueses como mentecaptos, usando diversa manobras de diversão para que não se discuta o essencial e se d~e relevância ao acessório. Todos eles se esquecem das responsabilidades que tiveram enquanto foram governo suportados por uma oposição que teima em passar o tempo e não conseguir nunca convencer os portugueses que de facto são uma verdadeira alternativa. ( A culpa é com toda a certeza dos portugueses). A miséria que os portugueses vivem, as famílias que destruíram obrigando a uma emigração sem precedentes, e a fome que se acumula nas filas das instituições de solidariedade para um prato de sopa são minudências que os políticos teimam em não querer ver. Triste povo este que não merece gente assim.

A minha cara metade

Pelo menos à 30 anos que conheço uma senhora (na altura menina) que teve o condão de mudar a minha vida. Essa mulher que faz parte de mim trouxe-me tudo aquilo que eu não tinha. É o meu equilíbrio.Essa mulher deu-me dois filhos fantásticos. Ela entranhou-se de tal forma em mim que ela e eu somos indissociáveis. Não, nunca conseguiria viver sem ela. Ela completa-me. Ela tornou-me num homem melhor. Tenho por hábito dizer que se encarnar quero casar de novo com ela tal é o amor, o respeito, o carinho que sinto por ela. É de tal forma que daria a vida por ela. Não tem explicação como não tem explicação as coisas do coração, são emocionais embora neste caso sem data marcada pois vou com ela até ao fim do mundo ao fim das nossas vidas. Faz hoje precisamente 22 anos que tive a sorte de ela ter aceite casar comigo. Como era bom que a felicidade que tu me transmites fosse proporcional noutras actividades da nossa vida. Amei-te o suficiente para casar contigo, amo-te ainda mais depois de termos casado e continuarei a amar-te até ao fim dos nosso dias.

Felicidade

Não me parece que o conceito de felicidade seja uma coisa permanente. Ao longo da nossa vida vamos tendo rasgos/momentos que nos fazem felizes. Uns mais do que outros. Uns mais intensos do que outros, mas a felicidade (deveria)não é um estado de espírito constante. Lutamos todos para sermos felizes não dando por vezes apreço ao que de mais pequeno se passa à nossa volta. Num Mundo tão grande e ao mesmo tempo tão pequeno, tão globalizado em que os feitos dos outros são coisas intangíveis para nós, ser feliz é uma tarefa árdua. Infelizmente, confronto-me cada vez mais com um numero maior de pessoas amarguradas pela vida profissional ou pessoal que têm. Curioso num Mundo que nunca nos deu tanto e onde tanto é tão pouco. Deixamo-nos envolver pelas coisas que aparentemente nos são essenciais e que na prática bem podemos passar sem elas. Falta-nos coragem. Esta vida tem um fim como teve um princípio, mas cada vez mais nos confrontamos com o exagero que a vida exige de nós. Foi num desses momentos de muita tensão, cansaço e desânimo que uma colega minha de seu nome Ana Margarida, sem que eu lhe pedisse nada resolveu ajudar-me.Não somos amigos íntimos nem precisamos de o ser para que eu reconheça nela a generosidade de ter "olhado" para mim e ver que de facto estava desesperado. Só este feito e possa ela ter os defeitos que qualquer mortal tem seriam mais do que suficientes para lhe dar um cantinho no meu coração de agradecimento com a certeza que ficará lá guardado. Este tipo de ajuda descomprometida, sem interesse a não ser o bem estar pelo próximo deixa-me comovido, até porque sei que a tua vida não tem sido fácil. São estas coisas mais do que palavras por vezes providenciais que nos ajudam a sair do buraco que nos vamos atolando sem dar conta. Obrigado Ana.

`A minha esposa

Ela nao sabe que é a melhor esposa do mundo. Aliás nao sei sinceramente porque é que ela ainda continua comigo. Durante o meu processo de conquista ja lá vao um bom par de anos eu demorava 2 horas para me arranjar. Escolhia a melhor roupa quando saia com ela, embevia me em perfume, fazia a barba como nunca mais voltei a fazer e essa mulher apaixonou-se por mim. Hoje essa mulher demora duas horas para se por bonita para mim, hoje eu chego a casa cansado mal humorado e ela, ela chega a casa cuida da roupa dos nossos dois filhos, faz o jantar, ela conta me histórias de como vai travando uma luta interior para aceitar o envelhecimento dos pais,atura o nosso cão e continua bonita como antes. Esta mulher, arranja tempo para me ligar e dizer me que me ama. Sinceramente existem milhões de homens no mundo melhor do que eu. Vá se lá saber porque razao continua apaixonada por mim. Amo te mais do que possas imaginar, pior é que não encontro palavras para definir o quanto te amo. Um beijo minha mulher.

Fardo

Quantos de nós já sentimos o nervoso miudinho a apoderar-se de nós ao domingo à tarde, porque nos lembramos que a segunda-feira está por horas? Quantos de nós ocultamos que para aguentar o frenesim do dia a dia tomamos medicamentos, outros fumam seja o que for desalmadamente, outros bebem às escondidas e outros distribuem a sua ira e mau feitio, por todos aqueles que os rodeiam. Até quando os assassinatos que povoam todos os dias os nossos jornais rádios e televisões não atraem a atenção de um país cada vez mais doente. Existem ainda uns quantos que por razões diversas ainda conseguem olhar para a a frente e vislumbrar que a sua vida não é isto. A minha vida não pode ser isto. Tenho dúvidas muitas dúvidas, sou um homem de fé e com cada vez menos certezas, mas se alguma certeza tenho é que não quero esta vida para mim. Não se trata de um grito de revolta, trata-se sim da constatação que me é impossível continuar a viver assim. Estou exausto tal e qual muitos dos amigos e colegas que conheço. Uma conversa de que somos fortes vamos conseguir fazer melhor sem os meios, sem os instrumentos, contrasta com a vulgar conversa de corredor em que toda a gente se lamenta, onde as depressões aumentam a um ritmo frenético, onde a exaustão impera e o silêncio impulsionado pelo medo, faz com que a resignação impere. Estou cansado, melhor estou exausto. Por vezes questiono-me sobre o que é que se fez para se merecer tamanha injustiça. Temos o direito de pelo menos procurar a felicidade e a minha esperança de a encontrar está-se a desvanecer.

Mais valia estares calado

Leio esta semana numa revista de um semanário português uma reportagem sobre a remuneração dos padres portugueses. A pergunta é têm os católicos a obrigação de suportar o custo de vida do padre? A regra geral deveria ser a formulada por S.Paulo "Quem serve o altar vive do altar". De facto que quem escolhe a vida de padre não tem ou não deve ter como finalidade o enriquecimento(coisa que existia até alguns anos atrás sobretudo no interior)pagava-se a côngrua, pagava-se o batizado, pagava-se a comunhão, pagava-se o casamento, pagava-se o funeral etc... Estes valores de uma forma geral sustentavam a igreja e sustentavam o pároco. A crise na sociedade afastou os crentes, se calhar alguns responsáveis pela igreja afastaram os crentes já que reza a memória em tempos de crise as pessoas voltam-se mais para o culto e de nada serve os padres acenarem com a crise porque não consta que a IURD viva em crise. Dízimo pago pelos praticantes da IURD e côngrua exigida por algum clero não é muito diferente. Enquanto que na IURD o conceito de "padre/pastor" deixa muito a desejar e levanta dúvidas sobre os seus reais propósitos, creio que na igreja católica o ser padre não pode, não deve ser confundido com uma profissão. Ser padre na igreja católica é um chamamento de Deus para uma missão que se quer nobre e próxima daqueles que mais sofrem. Vários são os casos de padres que conheço que têm viaturas melhores do que a minha e da do papa Francisco. Ser padre não pode ser aquilo que vários padres ocultam na reportagem. Não conheço nenhum padre que passe fome. Não conheço nenhum padre que viva em condições miseráveis, não conheço nenhum padre que não tenha um padrão de vida aceitável, não conheço nenhum padre que não tenha direito à saúde, não conheço nenhum padre que viva em condições por vezes deploráveis como vivem alguns dos seus fieis. Tenho alguns padres como amigos e não os revejo naquela reportagem, mas envergonha-me que um padre que professe a fé em que eu acredito e que preside a uma paróquia de uma zona abastada da cidade, que testemunhe que no caso dos vencimentos dos padres a crise bateu à porta. Fundo paroquial que sustenta o padre e duas funcionária é alimentado por contribuições modestas e voluntárias!!!!!Juntando-se umas migalhinhas das taxas de casamentos etc. Quando perguntado quanto ganha um padre acena com 800 euros por mês. Brincar com quem todos os dias sofre à procura de sustento para dar aos filhos é uma brinacdeira de muito mau gosto mesmo passado um dia do dia 1 de Abril. Seria bom que perguntassem ao senhor cónego quanto é que ele recebe na realidade por ser padre e quanto recebe de reforma pela outra atividade que exerceu. Depois queixem-se que as igrejas estão cada vez mais vazias.

Manue(a)l de sobrevivência

Manuel é um nome característico da maior parte dos portugueses. Manual(de sobrevivência) passou a ser. Este país à beira mar plantado, tem assistido nos anos de democracia após o 25 de Abril de 1974, a uma invasão de pessoas pouco recomendáveis. Estes grupos de pessoas que giram à volta dos aparelhos partidários têm elegido(com a colaboração dos portugueses) a um roubo sem precedentes. Os portugueses, Portugal tem vindo a ser vilipendiados ano após ano. Desde as empresas privatizadas a bom preço a um grupo de empresários que denotam uma ânsia pelo poder e pelo dinheiro desmedida, até aos políticos que procuram na espuma do poder garantir aquilo que a qualidade humana, profissional e até intelectual nunca era capaz de lhes proporcionar. Assim o assalto às cadeiras do poder por muito pequeno que ele seja desde juntas de freguesia, Câmaras Municipais, deputados, secretários de estado, ministros etc... tem evoluído a uma velocidade impressionante. Ontem quando saía do restaurante onde almoçava em Lisboa, acercou-se de mim uma senhora com idade para ser minha mãe timidamente a pedir dinheiro para comer alguma coisa: Esta senhora aparentemente vestida de uma forma normal denotava no rosto e sobretudo nos olhos uma tristeza que queimava. Chegado a casa, eis que nos raros momentos em que ligo a televisão num qualquer telejornal da noite, dou-me conta que o discurso de um político afirmava que o desemprego tina recuado em Portugal. Este país que é governado por que não sai do gabinete, por quem não tem contato com o mundo real, por onde ainda morrem pessoas nos hospitais por falta de medicamentos, onde os hospitais públicos fecham e proliferam os privados, onde os bancos fecham e os contribuintes pagam, onde os políticos se esquecem de pagar as suas contribuições e prescrevem, não é o país em que eu quero que os meus filhos vivam.